Liberdade de Expressão - Sonho ou Realidade no Século XXI?

O dia 03 de maio, dia Mundial da Liberdade de Imprensa, foi marcado com o Seminário “Liberdade de Expressão” no Rio de Janeiro

O encontro foi realizado no auditório da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), e contou com a presença ilúste de jornalistas nacionais e internacionais.

Entre eles Guillermo Zilog, da Globovision Venezuela; Jorge Ortiz, da Teleamazonas Equador; Hérnan Verdaguer, do jornal Clarín, da Argentina; Jayme Sirotsky, do Grupo RBS, do Rio Grande do Sul; Ricardo Gandour, de O Estado de S.Paulo e Carl Bernstein, o jornalista que derrubou Richard Nixton da Presidência dos Estados Unidos em 1974, com uma matéria que desbravou o jornalismo da época desvendando o caso Waltergat junto com Bob Woodward, ambos do jornal The Washinton Post. Estiveram presentes também, o Vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o Ministro Carlos Ayres Britto, e o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Desembargador Luiz Zveiter. Representando a ABI, compareceu ao seminário o Conselheiro Arcírio.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, foi homenageado por conta de sua atuação na Corte Suprema como relator da ação judicial, que revogou a Lei de Imprensa, instituída pela ditadura militar. Ele recebeu uma placa de reconhecimento das mãos do o Vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho e além de seu agradecimento, disse: "A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade"

Já o Diretor-geral da Emerj, Desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos colocou que o momento do Seminário foi oportuno: "Diante dos preocupantes sinais emitidos por Governos autoritários de alguns países da América do Sul, todos apontando para o cerceamento da liberdade de imprensa, a tão duras penas conquistada em nossos quadrantes, e que constitui, sem sombra de dúvida, um dos mais caros bens imateriais do patrimônio da universalidade dos cidadãos," afirmou o Desembargador.

Alguns momentos que marcaram o seminário:

Gillero Zuloaga, dono da Globovision, único canal aberto da Venezuela, não pode comparecer ao evento porque está proibido de deixar o país. Em março do ano passado ele foi preso e ficou detido por mais de oito horas, por criticar o Governo Hugo Chavez, acuando-o de perseguição aos meios de comunicação. Em seu lugar, Gillermo enviou seu filho, Carlos Alberto Zuloaga.

No debate, os jornalistas Guillermo Zuloaga, do canal Globovision (Venezuela), Emilio Palácio, do jornal El Universo (Equador) e Hernán Verdaguer do Clarín (Argentina) apresentaram um panorama dos dramas vivenciados por jornalistas e veículos de comunicação em seus países, por força de cerceamentos á liberdade de imprensa.

Herman Verdarguer iniciou seu discurso falando sobre o crescente enfrentamento do governo Argentino contra a imprensa independente.

O presidente emérito do Grupo RBS, Jayme Sirotsky apresentou um mapa sobre a situação da liberdade de imprensa no mundo em 2010. Com 175 países dividido nas cores que vão do branco (boa) ao preto (muito grave), o Brasil aparece coberto de laranja claro (com problemas sensíveis), isso mostra que, se o País não chega ao laranja escuro de Venezuela e Equador e está muito distante do preto da Arábia Saudita, está longe da liberdade clara de Canadá, Austrália, Bélgica, países escandinavos e outros.

O fim, com palavras para um bom começo, com Carl Bernstein

Outro momento importante foi o discurso de Carl Bernstein(foto a dir.), em sua opinião o cerceamento aos meios de comunicação não ocorre apenas na América Latina, mas no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos. Carl, usou o caso Waltergate como exemplo, e disse que o sucesso de sua matería se deu por conta da postura do jornal The Wasinghton Post que não se curvou diante da Casa Branca e obrigou o sistema americano de defesas à liberdades, a funcionar. Ele citou, a primeira Emenda dos Estados Unidos, que proibe a censura à liberdade de imprensa no qual a justiça se baseou para julgar o caso Waltergate: "Esse é o coração da nossa democracia, tentaram minar essa democracia, mas não conseguiram. Esse direito para uma imprensa livre e independente está sacramentado na nossa cultura e em instâncias legais".

Bernstein revela que aprendeu esses principios quando iniciava sua carreira de reporter: "Há 50 anos no jornal Washington Star eu aprendi o que tem de sublime no nosso trabalho é informar o público, que a imprensa existe para o bem público, com a função de dar ao leitor a melhor visão possível da realidade, um conceito simples e difícil de acordo com o comprometimento dos executivos da mídia."

“A predominância de uma cultura jornalística global que tem cada vez menos a ver com a verdade, a realidade e o contexto. Crescentemente, o retrato de nossa sociedade, produzido por esta mídia, é enganador. É um retrato sem conexão com o contexto real de nossas vidas; um retrato desfigurado pelo culto à celebridade, pela fofoca, pelo sensacionalismo, pela negação das reais condições de nossa sociedade, pela controvérsia fabricada – especialmente, na TV, mas também na imprensa escrita. Uma das grandes perguntas do Século XXI é se nós, no chamado mundo civilizado, podemos restaurar a nossa missão : a de obter a melhor versão possível da verdade”.
Carl Bernstein

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